Bahiatursa quer transformar o São João da Bahia em festa nacional Ação católica para lavagem rende polêmica ~ Vai Bahia

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Cleidiana Ramos

Foto: Rauls Spinassé  Ag. A TARDE
Quando o cortejo com as baianas chegar ao adro da Igreja do Bonfim, na próxima quinta-feira, vai encontrar uma recepção católica. O grupo será formado pelos participantes da Lavagem de Corpo e Alma,  primeira representação oficial da Igreja Católica no evento que acontece desde o século XIX. Vale lembrar que a lavagem não é o mesmo que a Festa do Bonfim. Mas a iniciativa católica que poderia ser recebida como o fim da resistência da instituição à lavagem recebe mais críticas que aplausos.
A caminhada católica vai sair  às 8 horas da porta da Igreja da Conceição da Praia. O cortejo oficial liderado pelas baianas e organizado pela prefeitura com o apoio do governo do Estado, sai às 9 horas do mesmo local.

Reitor da Basílica de Nosso Senhor Bom Jesus do Bonfim-  , o padre Edson Menezes   afirma que seu objetivo ao organizar a caminhada nasceu da demanda de devotos. "Costumo ouvir críticas sobre violência e consumo de bebidas na lavagem. Eu senti o dever de dar  uma resposta pastoral participando do evento", acrescenta.
Segundo ele não dá para participar do cortejo oficial, porque o os objetivos são diferentes. "O nosso objetivo é evangelizar, marcar a presença da Igreja e não tem propósito de divisão. É um lugar que queremos ocupar na lavagem que possa transmitir  um exemplo pelo nosso testemunho sem bebida alcóolica e sem drogas".

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De acordo com o padre a caminhada estará aberta a quem vai para a lavagem com uma proposta  mais devota, como pagar promessas. "São vários grupos que saem de lá e nós também vamos sair. A lavagem é democrática e tem lugar para todos",
Contraste
Mas, para especialistas em questões de cultura e religiosidade, o problema está na abertura para uma interpretação de que os católicos são os puros e corretos em contraste com os que vão participar da parte mais lúdica que caracteriza a lavagem. "Essa invenção do padre de sair na frente do cortejo fica parecendo uma competição.  Sair na frente como se fosse o dono é muito antipático", aponta o doutor em antropologia Ordep Serra.

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